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CONTRA-ATAQUE # 72 - A comunicação como a chave do negócio

           

Entender-se dentro de quadra, jogadores, árbitros e adversários, é fundamental para o sadio conviver além da intolerância e fúria
O Chuteira voltou de vez no último sábado com as aberturas da Série Ouro e da mais nova versão da Copa Estrelato. Nos corredores de separação das quadras, sorrisos de orelhas a orelhas, muitas resenhas, gargalhadas, debates, projetos etc. Entre jogadores, torcedores, mulheres, cachorros e outros e outras, é difícil encontrar alguém longe da felicidade em cada átimo de segundo que se passa num sábado chuteirense. Síndrome de Truman Burbank. Isso, até pisarem nas arenas: aqui vem o pulo do gato com a mutação de comportamentos.
 
Sem generalizações, mas o sentimento ambíguo do misto alegria e fúria parece ter afetado a coletividade num âmbito geral. Poderia ser usada a expressão 'intolerância' para o ganho de mais curtidas, mas aí seria fomentar ainda mais um Leviatã latente: a falta de paciência em (quase) todos os setores dentro do futebol – o Chuteira incluso.
 
O principal exemplo está nas relações entre jogadores e árbitros. 
 
O recorte é necessário para uma análise comportamental. "A pandemia afetou muita gente e parece que estamos vendo uma falta de diálogo e compreensão por parte dessas pessoas" é uma frase impactante de se ouvir. Foi ouvida. E é preocupante. Tudo porque a maioria das pessoas envolvidas com a Liga Chuteira de Ouro F7 quer o bem-estar de suas competições, porém, lances isolados deixam o ambiente involutivo.
 
Durante o confronto entre Ou Não e Entre Amigos, válido pela 2ª rodada do Grupo A da Série Aço, um festival de involução, ou estagnação. A arena escolhida foi a classificada 'quadra pequena'. Seis homens de cada lado tentando achar um espaço que raramente aparece. Trancos e barrancos são inevitáveis. 
 
Entram então os agentes da partida. A filosofia de marcar forte acompanha o ON desde que o time ingressou na liga. Força física também não falta ao EA, com as pitadas de jogadores que desequilibram, casos de Rafa Capitão e Daniel Bahia. Chegadas duras, corpos a corpos, lutas pelas vidas em cada jogada mínima eram vistos – e de forma natural. Por que então explosões de impaciências e arroubos de prepotências se o cenário já era conhecido? A resposta de muita gente será “é futebol” e agirá com naturalidade.
 
Naturalidade que, infelizmente, estamos presenciando também quando o assunto é ações e reações dentro de quadra.

 

Se a arbitragem não está num bom momento (num bom dia), tomará as rápidas decisões à qual seu ofício exige de forma errada (e certa também): um lado sempre concordará, ao passo que o outro sempre se lamentará. Exemplo vem de um carrinho não marcado pelos árbitros, ou uma suposta falta que, para o sofredor, foi clara. Se isso aconteceu nos primeiros cinco minutos de peleja, a tendência é que a bola de neve esteja gigante na metade da segunda etapa. Foi o que ocorreu em EA x ON. O ponto inicial para o surgimento da bola de neve não se sabe neste caso, mas era certeza que na segunda etapa teria um auê. Os mesmos personagens de sempre envolvidos.
 
Entre o ato inicial até o derradeiro, num jogo aguerrido, há diálogo. Ou a falta dele. Quem sabe até sua existência, mas cada um falando uma língua diferente. Para as impaciências de Rafa Capitão e Bahia, existem as impaciências dos árbitros. Nenhum deles gosta de jogador que desconhece as regras, por exemplo. Já os jogadores não gostam de "árbitros que se julgam superiores só por que têm um pequeno poder". O pior e o melhor de tudo isso é que, em ambos os casos, a forma falada provocou a irascibilidade de cada um. Se o jogador se dirige ao árbitro gritando, já despertou desconforto. Se a arbitragem ironiza algum jogador, este fica transtornado.
 
Aqui, entende-se todos os lados. Por isso as análises devem ser feitas com calma. A mesma paciência que tiveram um árbitro e um técnico durante o empate entre Soberanos e Vila Mureta, pela segunda rodada do Grupo A da Série Bronze. O treinador não gostou da marcação feita e falou de uma forma mais áspera, mas sem desrespeitar com um "vai tomar no...", por exemplo. O tal árbitro pediu um pouco mais de calma ao treinador e admitiu que poderia ter se equivocado. Pronto: acabou a celeuma. O jogo transcorreu para o empate com os personagens citados se respeitando mesmo com um deles errado (e não se sabe quem).
 
Outra comunicação positiva ocorreu nas estreias de Manchester Cirrose e Choppecoense – enfrentando-se pela 1ª rodada do Grupo B da Copa Estrelato. O jogador expulso pelo MC não se conformava com a atitude da arbitragem em tirá-lo do confronto. No alambrado, do lado de fora, ouviu do próprio companheiro de time, durante uma pausa na partida, que o cartão vermelho foi merecido. Outra celeuma resolvida, o expulso sentou e o Cirrose ganhou.
 
Tudo é uma questão de paciência. Compreensão também. Comunicação assertiva também. Entender as dificuldades das pessoas (empatia é o nome disso) faz parte do autocrescimento. Entender os elementos que cercam o jogo também. “Pegar leve” deveria ser um mantra obrigatório em escolas fundamentais. Assim não teríamos tantos Trumans Burbanks (personagem de Jim Carrey em O Show de Truman – O Show da Vida), esses vivendo de aparências.
 
Abre o olho – O amigo e jornalista Antônio Lemos, em sua certeira análise sobre a 29ª Série Ouro, foi bem claro: “É bom lembrar que são apenas 5 partidas classificatórias e 4 vagas nos playoffs por grupo. Quem tradicionalmente entrar desligado achando que recupera lá na frente pode se dar mal”. A cirúrgica frase vem de encontro com a estreia do Leleks na principal divisão do Chuteira.
 
Pela primeira vez, o time formado em 2017 chegou para a disputa da Série Ouro. Tinha um adversário difícil, mas que está em fase de reconstrução: apesar de o Olimpo conhecer a divisão, seu elenco foi remodelado e o não-entrosamento foi visto na primeira etapa. A lelekada foi ao intervalo com 2 x 0 e nem os mais otimistas imaginavam tamanha vantagem numa divisão complexa. Veio o segundo tempo, foi-se a paciência do Leleks.
 
Desconcentrados, os jogadores viram a equipe de Marcelo Pimentel crescer coletivamente e descontar. Na reta final do match, o empate. Havia mais alguns minutos de peleja, mas o empate já era enxergado por muitos. Porém, ambos os times estavam pendurados na 5ª falta. A 6ª veio, de uma forma inexplicável: o próprio capitão, Gui Simões, ficou pistola (pelo comportamento de sua equipe e por um suposto pênalti em cima de Saulo quando estava 2 x 2) e cometeu a falta que originaria o gol de Cachoeira na cobrança de shoot out, no lance derradeiro: vitória olimpiana de virada.
 
Além de ter perdido 3 pontos após não segurar uma ótima e rara vantagem, o Leleks deixou de somar 1 ponto com o então empate que conquistava. Ponto que já deixou muita gente boa de fora da fase final em outros carnavais. Ponto que já colocou surpreendentemente times inusitados na fase eliminatória. Ponto que já classificou grandes times que viriam a ser campeões. Parece que o Leleks passou longe da matéria assinada pelo repórter-setorista da divisão desde 2016. Tem a chance agora clicando aqui.
 
Síndrome de hipertimesia – Finalistas do Chuteira 100|Aço, Soberanos e Pervas eram considerados ótimos candidatos a vencerem seus respectivos grupos na 20ª Série Bronze e subirem diretamente à próxima edição da Prata. Ambos estão apenas em 6º em dois jogos realizados. As campanhas decepcionam até agora, já que empataram uma vez e perderam outra cada.
 
Para vencerem seus grupos, agora, só com os milagres de somarem 12 pontos nos 4 jogos que lhe restam e ainda verem seus adversários da ponta escorregarem na casca da banana. O melhor para a turma de Justen e à trupe de Thiago Salgado é se desgarrarem do recente passado e entrarem definitivamente em 2022 para, pelo menos, ficarem no grupo dos classificados ao mata-mata. Hoje, estão fora.

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