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DUELO # 22 – E o surto (não) levou...

           

A paralisação da sociedade nos últimos dois anos afetou muitas equipes, mas o Lokomotiv e o Real Madruga sobreviveram e se enfrentam amanhã pelo Grupo B da Prata

A crise de saúde pública universal (popular Pandemia do Coronavírus/Covid-19) arrefeceu e as sociedades voltam aos seus convívios. Os reencontros foram do emocionante ao delirante (passando pelo indigesto). Na Liga Chuteira de Ouro F7, não se sabia o sentimento quanto à volta das equipes. Muitas deixaram as quadras e/ou estão sepultadas. Porém, a maioria retornou. Duas delas se enfrentam amanhã pelo Grupo B da Série Prata: Real Madruga e Lokomotiv regressam mostrando a força histórica de suas camisas, e na busca pelo acesso direto à Ouro, projeto outrora engavetado por conta da peste.
 
As equipes (re)estrearam no dia 09 de abril – antes dos dois finais de semana seguidos de feriado prolongado. Com a 2ª rodada desmembrada, folgaram no último fim de semana, totalizando três semanas de preparação para o confronto de dois times que são 100% na Prata. O RM derrubou o Catimba com autoridade (ler aqui), enquanto o Loko sofreu para ganhar do Interativo (ler aqui). Como se portarão fisicamente é a grande questão, já que a tendência para o reencontro é de muito equilíbrio.
 
Sobretudo porque o último encontro ocorreu em 2019, e foi um embate para a madrugada esquecer. “Um minuto de silêncio” foi a manchete do jornalista Matheus Mazzo após testemunhar um verdadeiro massacre: as oitavas de final da 22ª edição da Prata teve um 9 x 1 do Lokomotiv sobre o Real Madruga (ler aqui)!! Porém, diferente desse fatídico encontro, o Madruga vem com espírito renovado após os dois anos inativos. Não diferente está o Loko. Pelo menos é o que dizem Zé Mannis e Lucas Botelho, o Presida.
 
A reportagem do Chuteira conversou com o jogador do Real Madruga (Mannis) e o atual técnico/presidente/rei/imperador/primeiro-ministro/general/embaixador/diretor de futebol/diretor de marketing/diretor de logística/agitador de torcida/pai do ano/reprodutor Nível A+ do Lokomotiv (Presida). Fizemos três perguntas para cada: questões idênticas para uma análise dos dois lados para este jogão que promete agitar o Grupo B da Série Prata.
 
Falem a realidade desse Lokomotiv e Real Madruga, respectivamente. Muitos (principalmente organização e reportagem) pensavam no fim das equipes com a Pandemia. Quais fatos estão envolvidos para essas reviravoltas e a permanência de ambos? Quais personagens estão fazendo o jornalismo do Chuteira engolir tanto Loko quanto Madrugão (ainda bem)?
 
Lucas Presida (Lokomotiv) – A verdade é: sim, passou pela minha cabeça o fim da equipe. Principalmente pelo fato, com dois anos trancafiados dentro de casa, a galera desligou a televisão e começou a fazer filhos. Eu mesmo, presidente da equipe, fiz dois. Então, juntou o fato desse terror da pandemia, muita gente morrendo, mas também muita gente nascendo. O futebol, obviamente, ficou em segundo plano. Mas temos alguns pilares no nosso time que são muito fortes, e que não deixaram, e não falaram em nenhum momento, do fim do Lokomotiv. Nomes como Marcel, Paulo, Felipe, Neto, Rodão, Zezé, Juninho, que estão desde a fundação em 2013, não deixaram a peteca cair. Alguns falam de Last Dance (a última dança), mas vamos dançar por mais alguns anos no Chuteira.
 
Zé Mannis (Real Madruga) – Durante a pandemia o time continuou junto, fizemos encontros on-line e continuamos na resenha – até como forma de todos se sentirem próximos. Mais do que um time, o ‘Druga’ é uma família. O retorno, inclusive, era só questão de tempo. Não voltarmos antes foi somente por precaução. Acho que não é quem, no Madruga, que faz com que os críticos se surpreendam e, sim, o poder coletivo que temos. Só analisar o primeiro jogo. Enfrentamos um time bom, mas fomos tão intensos e coletivos que o resultado se construiu por si só.
 
A montagem dos seus times foi complicada até que ponto? Quais jogadores chegaram? Quem ainda está na equipe? Quem saiu e merece um "chupa" de vocês?
 
Presida (Lokomotiv) – A montagem de elenco não costuma ser complicada. Temos uma base sólida de 10 a 14 jogadores ponta firme, os caras que vestem a camisa mesmo, que não deixam na mão, que não faltam, que dão o sangue pelo Loko. Quando montamos o plantel pra esse ano, tivemos a infeliz baixa do Denis por lesão no púbis, do Carrasco, do Guila, que foi morar no interior, do Portuga, que sempre foi um líder do grupo (foi morar na Califórnia); Paolo e Luquinhas, que trocaram a grama pela areia. Em contrapartida, demos uma oxigenada no elenco com jogadores mais novos e que jogam muita bola. Fizemos contratações pontuais. Tem o Noal (ex-Magnatas) também – está voltando de cirurgia pra estrear. Então, embora muito tempo de inatividade, o grupo está forte. O Lokomotiv continuará sendo um dos times mais enjoados do Chuteira. Não somos imbatíveis, mas tem que suar sangue pra ganhar desse time cascudo.
 
Zé Mannis (Real Madruga) – A montagem do novo elenco foi acontecendo de acordo com a realidade de cada um do grupo. Com a pandemia, muitos se mudaram, ou estão em momentos em que não conseguem se comprometer com o time. Fizemos algumas contratações pontuais, para manter o espírito coletivo e melhorar nossa qualidade técnica. Fiquem de olho no pequeno Jaja e no xerife Japonês. Chegaram ‘chegando’ no primeiro jogo. E ninguém merece nenhuma retaliação. Sabemos que os que saíram, ou não estão jogando, têm um carinho pelo time e as portas estão sempre abertas.
 
O confronto de sábado já é aquele de '6 pontos'. Curiosamente, o Lokomotiv esteve inativo durante a Pandemia, porém, muitos do elenco não jogaram outras competições da Liga Chuteira de Ouro F7 como os do Madrugão (o seu caso, Zé, e também os de Ornelas, Cesão etc.). Com essas informações, qual a estratégia para derrotar o rival? Até que ponto a ausência de torneios anteriores, de ambos, pode ajudar e/ou afetar na construção de um resultado positivo às suas equipes?
 
Presida (Lokomotiv) – Acredito que a inatividade atrapalha ambos os times. Respeito total pelo Real Madruga, que tem enorme tradição no Chuteira. Não dá pra ter ideia, dois anos depois, de como está o time deles. Muita coisa mudou. Acredito que estejam jogando demais, principalmente depois de ouvirmos da organização/reportagem que acreditam que o Parceradas já é o virtual campeão do grupo e que o Real Madruga vem na sequência. Acho que vocês se esqueceram do último confronto entre Loko e Madruga. Talvez a cloroquina na pandemia deva ter afetado a memória dos comediantes, quer dizer, comentaristas (risos). Mas é isso, gostamos desse cenário, já fomos campeões assim, sem holofote, esquecidos. Sábado será um jogão. Pode vir o Madruga, a dona Florinda, o Chaves, que o Lokomotiv vem forte.
 
Zé Mannis (Real Madruga) – Acredito que o principal desafio de todos os times que estão voltando agora é se adaptarem novamente. Mesmo com atletas em atividade, a forma de jogar em time, e o jogo valendo, são coisas que precisam de adaptação novamente com esse tempo parado. Também é difícil de analisar adversários visto esse cenário de retomada. O que estamos trabalhando internamente é que temos que achar nosso padrão de jogo independente do adversário. A cada rodada sermos melhores, independentemente de ser contra quem, vai ser fundamental para se destacar contra times que retornam agora e também enfrentar de igual para igual aqueles que já estão na ativa há mais tempo.

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